sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Georgi Chicherin: homossexual, ex-aristocrata e bolchevique

[Texto originalmente publicado em http://blogconvergencia.org/?p=6518]
 
Nossa muito sofrida República Soviética passou por tanta coisa durante os últimos dois anos que, no espaço de um breve jornal de revisão, é possível apenas apontar os marcos mais importantes deste período. A história política das relações exteriores da Rússia Soviética nesses dois anos é uma trágica história de luta sem fim, inspirada por inúmeros inimigos que literalmente não deram nenhum descanso ao jovem regime dos trabalhadores e camponeses. […]
A revolução de novembro, o primeiro ato da revolução social mundial, colocou de uma vez o Governo Russo Soviético à frente do movimento revolucionário mundial como o mensageiro e a inspiração da revolução proletária.
[CHICHERIN, p. 3]
É assim que Georgi Chicherin começa o “breve” jornal (um pequeno livro de bolso). Quando ele sucedeu Leon Trotsky no posto de Comissário do Povo para as Relações Exteriores (uma espécie de Ministro do Exterior), não havia, na teoria marxista, qualquer elaboração sobre relações exteriores. Esta foi, portanto, a primeira publicação marxista dedicada ao assunto.
Chicherin mudou muito. Poucas pessoas acreditariam que ele havia sido um aristocrata religioso e moralista retornaria à Rússia em 1918 como um verdadeiro bolchevique. A complexa amizade que ele teve com Mikhail Kuzmin, o autor do primeiro romance russo sobre homossexualidade, mostra uma evolução do pensamento de Chicherin ao longo dos anos. Infelizmente, pouca atenção é dada pelos historiadores à sua homossexualidade (ou talvez bissexualidade). Os artigos e livros que citam isso se restringem a falar sobre Chicherin em um ou dois parágrafos no meio de um texto que tem outro foco. É como se sua sexualidade fosse irrelevante para sua vida política e vice-versa.
Mas não há dois “Georgis Chicherins”, isso é óbvio. Houve apenas um personagem histórico que se transformou ao longo do tempo, transformação esta que atinge tanto suas visões sociais e políticas quanto como ele encarava a sua sexualidade.

De religioso e moralista a materialista

Georgi Chicherin estudou história e linguagem na universidade de São Petesburgo a partir de 1886, onde conheceu Mikhail Kuzmin. Tornaram-se amigos íntimos. Chicherin foi uma forte influência na vida do amigo, levando-o a conhecer filosofia e aprender italiano e alemão [MALMSTAD, p. 16-8]. Após retornar à Rússia em 1897, Chicherin trabalhou no departamento de arquivos do Ministério das Relações Exteriores até 1903 [MEYENDORFF, p. 175].
Chicherin e Kuzmin “mencionam suas inclinações sexuais em suas cartas” [MALMSTAD, p. 19]. Naquele momento, Chicherin convenceu Kuzmin a confiar na “Providência Divina”, da necessidade de ter “sentimentos corretos” e da abstinência sexual, apresentando a ele o jesuíta Canon Mori [p. 33-6]. A falha de Kuzmin em encontrar uma cura o levou várias vezes a tentar cometer suicídio [cf. p. 47]. Com o tempo, Canon Mori percebeu que era incapaz de resolver as crises de seu devoto e exortou-o a buscar ajuda com um médico especializado em distúrbios nervosos [p. 41-2].
Toda pessoa LGBT que teve uma educação conservadora ou moralista carrega uma antítese dentro de si. Por um lado, sua consciência alienada que compreende que ser LGBT é pecado, doença ou anormalidade. Por outro, sua própria existência concreta, que expressa as características que são consideradas de LGBTs.
No caso de Kuzmin, essa antítese teve outros desdobramentos. A busca pela religiosidade e pela “cura” o levaria à seita dos velhos crentes, muito influente em sua região. Essa seita, que defendia os “velhos costumes” e rejeitava o presente, existia desde 1666 como uma reação à Reforma da Igreja Ortodoxa Russa. Por outro lado, como a principal inspiração de Kuzmin eram suas fortes paixões por outros homens, ele passou a entender que seu trabalho criativo era um pecado [cf. p. 66]. Essa antítese fica explícita em seu relato de 1901 [p. 63].
Já Chicherin foi para a direção oposta. Em sua carta de agosto de 1901, afirmo que, apesar de compreender como os velhos crentes atraiam a Khuzmin, este estaria enganando a si mesmo em pensar que ele poderia ser algo além de um “cidadão naturalizado”. Chicherin comparou-o a dois hegelianos russos que “viam o niilismo, o revolucionismo e o materialismo como sintomas da doença da sociedade europeia ocidental” [p. 52].
Já em 1904, Chicherin escreveu uma carta que mostrava que sua concepção deu um passo adiante. Chicherin percebia que a busca de Khuzmin por uma “nova arte” era uma rejeição dos valores de sua época. Isso fazia parte do contexto social em que emergia na Rússia o movimento social democrático, que buscava o fim da ditadura czarista e que também ansiava, segundo ele, por uma “reavaliação dos valores” [p. 51].
Os registros dos anos seguintes mostram que Chicherin abandonou a visão moralista sobre a homossexualidade. Foi em 1906, quando estava em Berlim, que Chicherin fez uma crítica à obra “Asas”, que retratava um jovem homossexual que “saiu do armário”, como se tivesse ganhado asas. A crítica era sobre o excesso de disquisição “sempre sobre o mesmo assunto” e foi aceita pelo autor, que, em consequência, fez várias mudanças na obra [p. 96]. No mesmo ano, este publicou também as “Canções Alexandrinas”, que foram baseadas na coleção de poesias lésbicas e eróticas “Les Chansons de Bilitis” e retratava romances entre homens. Chicherin exaltou-as por sua grandiosa maestria e por retratar “o mais puro Kuzmin” [cf. p. 100].

De aristocrata a menchevique e, mais tarde, a bolchevique

Boris Chicherin, tio de Georgi, faleceu em 1904 e suas propriedades foram herdadas pelo sobrinho, que tornou-se muito rico. Entretanto, Georgi Chicherin envolveu-se com o Partido Socialista Revolucionário (que era muito influente entre os camponeses) e, por repúdio à riqueza e à propriedade privada, doou o que tinha em nome da Revolução. No mesmo ano, sua prisão iminente o obrigou a fugir para Berlim [ANDREYED, p. 76]. Em 1905, Chicherin tornou-se menchevique e inimigo de Lenin, assim permanecendo até 1914 [DEBO, p. 651].
No começo do conflito, Chicherin acreditava que a principal necessidade eram as revoluções democráticas nos países monarquistas e na Rússia czarista. Baseando-se na teoria marxista que explica que, em tempos de guerra, os socialistas deveriam apoiar o Estado cuja vitória mais ajudasse na causa da revolução socialista, defendia o apoio à Grã-Bretanha e à França, que eram, segundo ele, os países mais progressistas. Entretanto, os socialistas não deveriam apoiar o regime czarista, mas, pelo contrário, atuar para sua derrubada [p. 653].
Os artigos de do final de 1915 e começo de 1916 mostram uma mudança de posição. Conforme suas próprias palavras: “No curso da guerra defensiva, o capital inglês aproveitou-se dos sindicatos de trabalhadores para manter o poder em suas próprias mãos, enquanto mantinha-o longe das classes trabalhadoras. A política inglesa, com clareza ofuscante, revelou a ele [Chicherin] o papel da democracia, a forma mais refinada de dominação do capital” [p. 653]. Segundo ele, a guerra tinha origem imperialista e era mantida por capitalistas e monarquistas feudais para os seus próprios interesses de classe. A única forma de evitar esta guerra e as guerras futuras era a destruição do capitalismo e da monarquia feudal pelas classes dominadas dirigidas pelo proletariado. Entretanto, os imperialistas se apropriaram das organizações da classe trabalhadora e dos partidos social-democratas, que se tornaram “burocracias partidárias”. Com esta posição política, o velho menchevique já era um bolchevique em espírito [p. 653-4]. Do outro lado da Europa, num memorando de março de 1916, Lenin comentou que seu antigo adversário estava realizando um “grande serviço” a favor da causa internacionalista [p. 655].
A atuação política de Chicherin que obteve maior sucesso foi entre centenas de imigrantes russos, na maioria foragidos da ditadura czarista e da conscrição, contando com o apoio da militante suffragette Mary Jane Bridges-Adams em algumas ocasiões. Houve um acordo em 1916 entre os governos russo e britânico para que esses imigrantes fossem enviados de volta à Rússia ou que fossem conscritos ao exército britânico. A partir de um protesto em 13 de março de 1916, foi criado o Comitê dos Delegados dos Grupos Socialistas Russos em Londres. A partir da denúncia do czarismo e do governo britânico, campanha alcançou um público amplo não só na comunidade russa, mas também na população britânica. Como resultado, o governo suspendeu a decisão por seis meses [p. 656].
Por causa da crescente influência dos sovietes e de Chicherin, o governo britânico decidiu prendê-lo. Preso, teve contato limitado com conhecidos e as visitas de Bridges-Adams foram proibidas [p. 660].
Leon Trotsky, que era o Comissário do Povo para as Relações Exteriores, no dia 26 de novembro, enviou uma mensagem ao embaixador britânico George Buchanan, exigindo a libertação dos prisioneiros bolcheviques Chicherin e Petrov, afirmando que haviam ingleses engajados em atividades contrarrevolucionárias na Rússia e avisando que “a democracia revolucionária não pode aceitar que heróis valorosos definhem em campos de concentração na Inglaterra enquanto cidadãos ingleses não sofrem qualquer restrição no território da República Russa” [p. 660]. Diante da negativa do governo inglês, Trotsky emitiu uma ordem proibindo todos os ingleses que estavam na Rússia de saírem do país. Seu primeiro deputado, Ivan Zalkind, disse certa vez a um inglês que desejava um visto de saída: “Para lhe fornecer um visto nós precisamos consultar o camarada Chicherin – sem Chicherin, sem visto!” [p. 660-1]
Essa pressão política obteve sucesso. O acordo foi firmado em 10 de dezembro, mas foi apenas em 2 de janeiro de 1918 que Georgi foi notificado das negociações feitas por Leon Trotsky. No dia seguinte, após uma pequena festa de despedida feita por seus amigos, Chicherin embarcou no trem. Depois de 13 anos de exílio, finalmente retornaria pra casa.

De volta à Rússia Soviética

No começo do século XX, a criminalização da homossexualidade era comum entre quase todos os Estados Burgueses. O movimento homossexual ainda incipiente concentrava-se no Instituto Científico-Humanitário, na Alemanha, que reivindicava a revogação do parágrafo 175 que criminalizava a “sodomia”. Naquela época, a consciência sobre a necessidade de se combater o preconceito e a violência contra LGBTs era quase inexistente.
A Revolução de Outubro colocou a Rússia Soviética à frente de todos os principais países imperialistas com respeito aos direitos das mulheres e LGBTs. Logo nos primeiro meses, todo o Código Penal russo, com uma visão moralista herdada do czarismo e do catolicismo ortodoxo, foi descartado. O novo governo soviético pôs-se imediatamente a elaborar um novo Código Penal, promulgado em 1922, baseado em concepções mais modernas de criminalidade. No novo código penal, a criminalização da “sodomia” consensual entre adultos foi intencionalmente deixada de lado. A política bolchevique era a absoluta não-interferência do Estado Soviético nas questões sexuais. Tudo isso durou até 1933-34, quando a “sodomia” consensual foi novamente criminalizada pelo stalinismo como parte da política de perseguição aos homossexuais que já havia se iniciado sorrateiramente na segunda metade da década de 1920 [cf. HEALEY, 1993].
Lenin tinha muito respeito pelo novo Comissário para as Relações Exteriores. São inúmeras as cartas entre eles. Em 1919, ocorreu o Primeiro Congresso da Terceira Internacional Comunista, no qual Chicherin foi um dos cinco delegados russos. Ou seja, o fato de que Chicherin era homossexual não parece ter afetado essa relação de confiança.
No tempo em que permaneceu como Comissário, Chicherin manteve uma política contra o imperialismo e da opressão nacional. Defendia a “autodeterminação dos trabalhadores de toda nacionalidade”, abolição da “diplomacia secreta, rompendo de uma vez com as tradições imperialistas através da publicação dos tratados secretos como também pela renúncia de todos os acordos ditados pela política imperialista do regime czarista” [CHICHERIN, p. 3-4]. Com essa concepção, conseguiu criar acordos com países muçulmanos, em especial com o Afeganistão. Com isso, ele colocou em prática a máxima de Marx: “Um povo que oprime outros povos não pode ser livre”. Outro aspecto inédito das relações exteriores da recém-formada Rússia Soviética era o apelo para que os trabalhadores dos outros países se mobilizassem contra a intervenção militar imperialista no novo país soviético.
[O] movimento revolucionário gradual e crescente continuou avançando nos países da Entente e, por toda a Europa, as classes dominantes estão tomadas pelo medo conforme elas sentem a aproximação da revolução mundial. A imagem maravilhosa do ataque da reação mundial sobre a Rússia Soviética, a luta desesperada da última e sua defesa bem-sucedida inspira as classes trabalhadoras de todos os países. Este ano (1919), nós escrevemos menos notas aos governos, mas mais apelos às massas trabalhadoras. […] A cena da presente batalha entre dois mundo não tem precedentes na imensidade de suas proporções. […] A política externa da Rússia Soviética conforma-se mais e mais à batalha universal entre a revolução e o velho mundo.
[CHICHERIN, p. 35-36]
Durante seu trabalho como diplomata, Chicherin deparou-se com um grande obstáculo: a homofobia de Maxim Litvinov, um dos membros do Comissariado para as Relações Exteriores. Boris Bazhanov, secretário de Stalin de 1923 a 1928, relata que Chicherin e seu principal deputado, Maxim Litvinov, constantemente enviavam memorandos secretos ao Comitê Central do Partido Bolchevique criticando e xingando um ao outro. Litvinov afirmava que seu adversário era “pederasta, idiota, maníaco e anormal” [BAZHANOV, 1930 apud KOTKIN, 2014, p. 152]. Além de invejar seu adversário pelo seu posto e também das divergências políticas, Litvinov tinha especial aversão porque era homofóbico. Apesar disso, Maxim Litvinov permaneceu no posto e sucedeu Chicherin como Comissário para as Relações Exteriores em 1930.

A visita do velho amigo

Ao que tudo indica, as divergências políticas entre Chicherin e Khuzmin mantiveram-nos bastante distantes. Mikhail Khuzmin diversas vezes se opôs aos movimentos revolucionários, apesar de ter apoiado a Revolução de Outubro quando ela ocorreu.
Apesar da política bolchevique de não interferência nas questões sexuais, o clima homofóbico a partir de 1923-24 era crescente. Em junho de 1926 na “Gazeta Vermelha” (Krasnaya Gazeta), um longo artigo de Mikhail Padvo retratava a arte de Khuzmin como “burguesa” por causa das “poses e gestos eróticos” que foram emprestados das “operetas negras” [MALMSTAD, p. 337]. Sua carreira praticamente chegou ao fim nesse ano, junto com a política de liberdade artística que havia sido defendida por Lenin e também por Trotsky. Tudo isso representa um retrocesso gradual na política bolchevique que prevalecia no começo da década de 1920 [cf. HEALEY, 1993].
Chicherin não sabia disso. Em novembro de 1926, chegou em Leningrado e mandou avisar Khuzmin que queria que ele fosse visitá-lo. “Mieux veut tard que jamais,” começou dizendo. Eles conversaram sobre “artes, polêmicas, amizade, talento, diplomacia” e também sobre a fama que Khuzmin havia adquirido na Alemanha. Chicherin indagou Khuzmin sobre por que seu amigo estava escrevendo e publicando pouco [p. 340].
Desse relato, podemos tirar duas conclusões. Como Chicherin sabia sobre a fama que Khuzmin tinha nos grupos de homossexuais que estavam florescendo na Alemanha, significa que ele tinha algum contato com esses grupos, talvez também com o Instituto Científico-Humanitário. É possível que esse contato inclusive tenha ocorrido antes de 1917, quando viveu entre a Alemanha, a França e a Inglaterra. A outra conclusão é que Chicherin acompanhou, em alguma medida, os trabalhos de Khuzmin. Não vemos aqui um julgamento moral, muito menos uma repreensão como a que foi feita por Padvo. Muito pelo contrário, o velho diplomata queria que seu amigo continuasse a produzir.

Sobre a lenda de que Chicherin nunca aceitou sua homossexualidade

Existem poucas fontes sobre a homossexualidade desse importante bolchevique. Há um motivo para isso. Como parte da contrarrevolução stalinista, todas as discussões artísticas ou científicas sobre a sexualidade foram proibidas. Livros e textos sobre o assunto foram apreendidos pela NKVD (órgão que deu origem à KGB) ou queimados na década de 1930 [HEALEY, 2001]. Alguns artigos e rascunhos pessoais de Georgi Chicherin provavelmente ainda estão detidos pela polícia da Rússia [HEALEY, 1993, p. 45]. Chicherin também foi apagado da Enciclopédia da União Soviética e dos arquivos históricos do partido comunista soviético [MEDVEDEV, p. 202; MEYENDORFF, p. 173].
Devido à falta de mais evidências sobre a homossexualidade Chicherin, surgiu uma lenda entre os historiadores de que ele nunca aceitou sua sexualidade. Entretanto, existe uma única evidência, totalmente duvidosa, que aponta nesse sentido, e que inclusive entra em contradição com as evidências já apresentadas aqui. Todos os textos que fazem essa afirmação baseiam-se, direta ou indiretamente, em duas notas de rodapé do artigo de Alexander Meyendorff, primo de Chicherin. Entretanto, essas duas notas foram adicionadas pelo editor do artigo, Igor Vinogradoff, amigo pessoal de Meyendorff, e não pelo próprio autor. A primeira afirma que, na viagem de Chicherin a Berlim em 1904, “ele estava buscando uma cura para a homossexualidade que perturbava sua mãe e provavelmente distorcia sua própria personalidade” [MEYENDORFF, p. 175]. A segunda afirma que o termo “doença” no texto de Meyendorff era um eufemismo para a “homossexualidade e os sentimentos de culpa decorrentes dela” [p. 178]. O problema é que nem mesmo Meyendorff conhecia o pensamento do Chicherin, quanto mais o seu amigo, Vinogradoff. Por exemplo, em 1903, quando Chicherin apenas defendia o fim do czarismo e a renovação de valores, seu primo já o considera um “marxista radical” que já estava longe das visões da mãe [p. 174].
Como vimos, é provável que a primeira nota retrate um fato histórico, não só da homossexualidade de Chicherin, mas também de que ele tinha trejeitos (a “distorção na personalidade”). Já a segunda nota parece refletir, no máximo, uma opinião de Meyendorff. Chicherin foi à Berlim em 1926 e novamente em 1928 para tratamento de diabetes e polineurite (inflamação e degeneração dos nervos). Em seus últimos dias, passava por crises de loucura. Faleceu em 1936 de derrame cerebral [cf. POOLE, p. 90]. Esses fatos derrubam a única e frágil evidência apresentada de que Georgi Chicherin nunca aceitou sua própria sexualidade.

Bibliografia

Andreev, A. I. Soviet Russia and Tibet: The Debacle of Secret Diplomacy, 1918-1930s. Leiden: Brill, 2003.
Debo, Richard K. "The Making of a Bolshevik: Georgii Chicherin in England 1914-1918." Slavic Review 25.4 (1966): 651. Web.
Chicherin, G. Two Years of Foreign Policy the Relations of the Russian Socialist Federal Soviet Republic with Foreign Nations from November 7, 1917, to November 7, 1919. New York: Russian Soviet Government Bureau, 1920.
Healey, Daniel. "The Russian Revolution and the Decriminalisation of Homosexuality." Revolutionary Russia 6.1 (1993): 26-54.
Healey, Daniel. Homosexual Desire in Revolutionary Russia: The Regulation of Sexual and Gender Dissent. Chicago: U of Chicago, 2001.
Kotkin, Stephen. Stalin: Volume I: Paradoxes of Power, 1878-1928. N.p.: Penguin, 2014.
Malmstad, John E. e N. A. Bogomolov. Mikhail Kuzmin: A Life in Art. Cambridge, MA: Harvard UP, 1999.
Medvedev, Roy Aleksandrovich. Let History Judge: The Origins and Consequences of Stalinism. New York: Knopf, 1971.
Meyendorff, Baron Alexander. “My Cousin, Foreign Commissar Chicherin.” Russian Review 30.2 (1971), p. 173-178.
Poole, DeWitt C., Lorraine M. Lees, e William S. Rodner. An American Diplomat in Bolshevik Russia. Madison, WI: U of Wisconsin, 2014.

Um comentário:

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